É HORA DE CRESCER



Adoro repetir a ideia de que vivenciar e refletir sobre a espiritualidade não precisa ser uma experiência dogmática, como as que passamos ao visitar e frequentar templos, repetir frases e rituais ou devorar literaturas específicas sobre o grande mistério que envolve vida e morte. É possível assimilar ensinamentos e aprender com praticamente qualquer coisa desse mundão à fora. Seguindo essa linha, quero iniciar o texto citando que alguns dos principais motivos pelas quais gosto do universo de super heróis, são as grandes lições de vida que, direta ou indiretamente, acabam nos sendo passadas, ainda quando crianças.

Como esquecer a icônica - porém dolorosa - cena em que Tio Ben põe a mão no ombro de Peter Parker e diz que "com grandes poderem, vem grandes responsabilidades"? Uau. Poderia ser mais óbvio? Lembro que quando assisti ao Homem Aranha pela primeira vez, tinha cerca de 8 ou 9 anos, e o filme foi tão intenso pra mim que passei a noite sonhando com ele. Não só pelas cenas de ação e por sua revolução e introdução do mundo dos quadrinhos às telonas, mas pelas mensagens transmitidas. Hoje, fazendo uma releitura do que praticamente toda história/filme/livro nos conta, percebo que eles possuem uma dinâmica padrão. Comparando à nossa jornada aqui na Terra, podemos perceber que quase todas são analogias à situações práticas que enfrentamos no dia a dia: a necessidade de enfrentar as batalhas diárias, um coração partido, a sobrevivência, o adquirir a coragem inspiradora nos momentos mais difíceis.

Em contrapartida, por razões diversas, crescemos acreditando em vários conceitos que nos são passados pela escola, por nossos pais, pela religião, pela mídia, pilares do nosso modelo atual de sociedade. Ou seja, antes de aprendermos a nos expressar e mesmo andar, somos bombardeados com diversas regras que não podemos questionar e devemos tomar como verdade absoluta. Obviamente, isso é necessário em alguns momentos. Ou você acha que estaria vivo se duvidasse quando sua mãe dizia para não atravessar a rua sem olhar para os lados? O problema é que acabamos incorporando esse padrão a quase tudo na nossa vida, criando um sistema de crenças.

Ao começarmos a pensar por conta própria, principalmente quando deparamos com os conceitos de espiritualidade, que muitas vezes contradizem tudo aquilo que nos foi ensinado desde cedo, é como se fosse um choque. Existe uma parte em nós que resiste às mudanças, e que vai brigar conosco toda vez que alguma atitude vá contra o padrão ao qual estamos acostumados. Enquanto a consciência se expande, ao invés de revidar uma ofensa durante uma briga, nós nos calamos, por agora saber que Causa e Efeito existem, e ao entrar na onda de agresividade do outro, estaremos cientes de que aquilo refletirá em nós de alguma forma. Sabemos também que cada um tem seu tempo e suas feridas a curar, e que não estamos dentro do outro para conhecermos seus gatilhos. Algo que eu fiz ou disse, mesmo que sem intenção, pode ter ativado esse comportamento agressivo, muitas vezes nem mesmo direcionado a mim. Agora tenho que pensar duas vezes antes de falar mal do outro, de mentir, de mostrar ser algo que não sou. Acabo por me tornar um vigilante de mim mesmo. Não há mais como ir à missa/culto/reunião mediúnica/gira, cumprir o meu papel espiritual e voltar para casa, brigar com todo mundo, falar mal dos colegas, mentir, trair, e achar que nada vai ter consequências.

O que aprendemos desde cedo é que o mundo é uma selva e temos que ser fortes. A religião nos é apresentada como um consolo, uma promessa futura, como algo separado de nossas vidas atuais. Para começar que algumas  dividem e criam discórdia, guerras e debates acalorados e desrespeitosos que prejudicam quem não segue à risca o que é considerado certo pelo livro sagrado de cada um, quem pensa diferente, quem questiona e quem não vê sentido em certas (con)tradições. Deixo claro que o  objetivo aqui não é polemizar ou criticar as religiões, até porque algumas exercem sim na prática o que pregam, auxiliam pessoas carentes (material e emocionalmente) e trazem certa esperança. O grande problema das religiões é quando elas tiram de você a responsabilidade pela própria evolução.

Não há fórmula mágica que anule o desafio de se reconciliar com o outro, de não se vingar por uma traição, de admitir seus defeitos e trabalhar para minimizá-los, de assumir as rédeas do próprio destino. A saída é para dentro. Vejo pessoas que se atormentam por suas vidas não terem saído como tanto idealizaram, ou que têm medo do que ela pode se tornar e procuram nos outros (na religião, nos relacionamentos, na mídia, na política e na ciência também) conselhos e respostas que só podem ser encontradas em si mesmo. A vivência diária e as pequenas decisões e conflitos que envolvem seu dia a dia são como um treinamento para que você aplique tudo o que vem aprendendo na teoria, o seu sucesso virá a partir daí.

Então preciso sair de minha religião para evoluir? É claro que não. Existem lindos ensinamentos que podem ser retirados da Bíblia, do Alcorão, da Tanakh, Codificação Espírita... O que vai fazer diferença não é o quanto você leu de cada obra ou o quanto sabe sobre sua religião, como você está salvo e é iluminado por conhecer a "verdade", e como precisa convencer todos do seu convívio que devem seguir o mesmo caminho que o seu para chegar ao céu, ou à felicidade. O que vai definir sua verdadeira evolução será o quanto você vai aplicar os ensinamentos construtivos e benéficos dessas religiões durante sua existência terrena, no seu dia a dia. Não há uma só situação nessa vida que não possa se transformar em crescimento, de uma forma ou de outra. Até nas fases difíceis de nossa vida estamos aprendendo, nos conhecendo, indo contra as crenças limitantes que nos impedem de adquirir a plena felicidade aqui mesmo, sem esperar o tão cobiçado consolo futuro.

Reúna suas forças, olhe para si mesmo no espelho ao acordar e diga: O que vou aprender sobre mim mesmo hoje? Como vou lidar com as adversidades do meu dia? Onde vou fazer a diferença? Saia de casa com esse sentimento todos os dias, e mantenha a postura de observador. Vigie seus pensamentos, mas não se martirize. Somos humanos e a maioria de nós tem momentos que nos tiram do sério. O importante, nessas situações, é observar como reagimos a elas e respirar fundo, nos acalmar repetindo mentalmente algo como "Ok, isso aqui foi um deslize e aconteceu pra me mostrar algo, vou ficar mais atento". Ao voltar pra casa, antes de voltar a dormir, repita o mesmo processo. Se olhe no espelho e, com sinceridade, diga que está orgulhoso de si mesmo pelo progresso do dia, se lembre das vezes em que você poderia ter feito algo errado e conseguiu se segurar, perdoe-se por suas falhas, faça um check-up mental pra avaliar se foi injusto com alguém, e se lembre de perguntar à sua consciência se tratou os outros como gostaria de ter sido tratado. Esse é apenas um dos muitos passos que você pode começar a dar para aplicar mais o que acredita na prática, mas existem vários.

Ao tomar conhecimento de que ninguém, além de nós mesmos, através de nossos esforços e conquistas, virá nos salvar, uma grande responsabilidade nos é colocada nos ombros, mas proporcional a ela, advém um delicioso sentimento de liberdade. Agora você é livre para construir seu próprio paraíso, ou se perder nas profundezas do inferno que é viver com desgosto, esperando a hora de partir. A escolha sempre será sua. Abrace essa responsabilidade não com medo, mas amorosamente e exalando gratidão, pois ela é fruto da grande confiança que lhe é depositada, afinal, diz o ditado que "Deus não coloca fardos pesados em ombros fracos", certo?

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Abraços, galera.

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